terça-feira, 28 de maio de 2013

MIA COUTO VENCE PRÉMIO CAMÕES


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O vencedor do prémio literário mais importante da criação literária da língua portuguesa é o escritor moçambicano autor de livros como Raiz de OrvalhoTerra Sonâmbula A Confissão da Leoa . É o segundo autor de Moçambique a ser distinguido, depois de José Craveirinha em 1991.
O júri justificou a distinção de Mia Couto tendo em conta a “vasta obra ficcional caracterizada pela inovação estilística e a profunda humanidade”, segundo disse à agência Lusa José Carlos Vasconcelos, um dos jurados.
A obra de Mia Couto, “inicialmente, foi muito valorizada pela criação e inovação verbal, mas tem tido uma cada vez maior solidez na estrutura narrativa e capacidade de transportar para a escrita a oralidade”, acrescentou Vasconcelos. Além disso, conseguiu “passar do local para o global”, numa produção que já conta 30 livros, que tem extravasado as suas fronteiras nacionais e tem “tido um grande reconhecimento da crítica”. Os seus livros estão, de resto, traduzidos em duas dezenas de línguas.
Do júri, que se reuniu durante a tarde desta segunda-feira no Palácio Gustavo Capanema, sede do Centro Internacional do Livro e da Biblioteca Nacional, fizeram também parte, do lado de Portugal, a professora catedrática da Universidade Nova de Lisboa Clara Crabbé Rocha (filha de Miguel Torga, o primeiro galardoado com o Prémio Camões, em 1989), os brasileiros Alcir Pécora, crítico e professor da Universidade de Campinas, e Alberto da Costa e Silva, embaixador e membro da Academia Brasileira de Letras, o escritor e professor universitário moçambicano João Paulo Borges Coelho e o escritor angolano José Eduardo Agualusa.
Também em declaração à Lusa, Mia Couto disse-se "surpreendido e muito feliz" por ter sido distinguido com o 25º. Prémio Camões, num dia que, revelou, não lhe estava a correr de feição. “Recebi a notícia há meia hora, num telefonema que me fizeram do Brasil. Logo hoje, que é um daqueles dias em que a gente pensa: vou jantar, vou deitar-me e quero me apagar do mundo. De repente, apareceu esta chamada telefónica e, obviamente, fiquei muito feliz”, comentou o escritor, sem adiantar as razões.
O editor português de Mia Couto, Zeferino Coelho (Caminho), ficou também “contentíssimo” quando soube da distinção. “Já há muitos anos esperava que lhe dessem o Prémio Camões, finalmente veio”, disse ao PÚBLICO, lembrando que passam agora 30 anos sobre a edição do primeiro livro de Mia Couto em Moçambique, Raiz de Orvalho.
O escritor não virá à Feira do Livro de Lisboa, actualmente a decorrer no Parque Eduardo VII, porque esteve na Feira do Livro de Bogotá, depois foi para o Canadá e só recentemente voltou a Maputo. Zeferino Coelho espera que o autor regresse a Portugal na rentrée, em Setembro ou Outubro.
No entanto esta distinção não o vai desviar do seu novo romance, sobre Gungunhana, personagem histórico de Moçambique. "O prémio não me desvia. Estou a escrever uma coisa que já vai há algum tempo, um ano, mais ou menos, e é sobre um personagem histórico da nossa resistência nacionalista, digamos assim, o Gungunhana, que foi preso pelo Mouzinho de Albuquerque, depois foi reconduzido para Portugal e acabou por morrer nos Açores”, disse  Mia Couto, à agência Lusa. “Há naquela figura uma espécie de tragédia à volta desse herói, que foi mais inventado do que real, e que me apetece retratar”, sublinhou.
Nascido em 1955, na Beira, no seio de uma família de emigrantes portugueses, Mia Couto começou por estudar Medicina na Universidade de Lourenço Marques (actual Maputo). Integrou, na sua juventude, o movimento pela independência de Moçambique do colonialismo português. A seguir à independência, na sequência do 25 de Abril de 1974, interrompe os estudos e vira-se para o jornalismo, trabalhando em publicações como A TribunaTempo eNotícias, e também a Agência de Informação de Moçambique (AIM), de que foi director.
Em meados da década de 1980, regressa à universidade para se formar em Biologia. Nessa altura, tinha já publicado, em 1983, o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho.
"O livro surgiu em 1983, numa altura em que a revolução de Moçambique estava em plena pujança e todos nós tínhamos, de uma forma ou de outra, aderido à causa da independência. E a escrita era muito dominada por essa urgência política de mudar o mundo, de criar um homem e uma sociedade nova, tornou-se uma escrita muito panfletária”, comentou Mia Couto em entrevista ao PÚBLICO (20/11/1999), aquando da reedição daquele título pela Caminho.
Em 1986 edita o seu primeiro livro de crónicas, Vozes Anoitecidas, que lhe valeu o prémio da Associação de Escritores Moçambicanos. Mas é com o romance, e nomeadamente com o seu título de estreia neste género, Terra Sonâmbula (1992), que Mia Couto manifesta os primeiros sinais de “desobediência” ao padrão da língua portuguesa, criando fórmulas vocabulares inspiradas da língua oral que irão marcar a sua escrita e impor o seu estilo muito próprio.
“Só quando quis contar histórias é que se me colocou este desafio de deixar entrar a vida e a maneira como o português era remoldado em Moçambique para lhes dar maior força poética. A oralidade não é aquela coisa que se resolve mandando por aí umas brigadas a recolher histórias tradicionais, é muito mais que isso”, disse, na citada entrevista. E acrescentou: “Temos sempre a ideia de que a língua é a grande dama, tem que se falar e escrever bem. A criação poética nasce do erro, da desobediência.”
Foi nesse registo que se sucederam romances, sempre na Caminho, como A Varanda do Frangipani (1996), Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra (2002 – que o realizador José Carlos Oliveira haveria de adaptar ao grande ecrã), O Outro Pé da Sereia (2006), Jesusalém (2009), ou A Confissão da Leoa (2012). A propósito dos seus últimos livros, o escritor confessou algum cansaço por a sua obra ser muitas vezes confundida com a de um jogo de linguagem, por causa da quantidade de palavras e expressões “novas” que neles aparecem.
Paralelamente aos romances, Mia Couto continuou a escrever e a editar crónicas e poesia – “Eu sou da poesia”, justificou, numa referência às suas origens literárias.
Na sua carreira, foi também acumulando distinções, como os prémios Vergílio Ferreira (1999, pelo conjunto da obra), Mário António/Fundação Gulbenkian (2001), União Latina de Literaturas Românicas (2007) ou Eduardo Lourenço (2012).
O escritor brasileiro João Ubaldo Ribeiro, Prémio Camões 2008, disse à Lusa, no Rio de Janeiro, que “Mia Couto é, sem dúvida, um dos escritores mais importantes da língua portuguesa, e esse prémio é o reconhecimento que sua obra já há tempo faz por merecer”. E congratulou-se “festivamente com Mia Couto e com a literatura moçambicana, que ele honra com sua arte e exemplo”.  
E o escritor português Vasco Graça Moura considerou também ser esta uma atribuição perfeitamente merecida. “Mia Couto é um grande escritor, parece-me perfeitamente justificado”,  disse à Lusa. Mia Couto é um “grande autor de língua portuguesa” e tem “uma capacidade de invenção verbal surpreendente. Por isso, na perspectiva do escritor português, a obra de Mia Couto “ultrapassa, de algum modo, os limites normais da prosa escrita em português”.

Nas anteriores 24 edições do Prémio Camões, Portugal e Brasil foram distinguidos dez vezes cada, a última das quais, respectivamente, nas figuras de Manuel António Pina (2011) e de Dalton Trevisan (2012). Angola teve, até ao momento, dois escritores citados: Pepetela, em 1997, e José Luandino Vieira, que, em 2006, recusou o prémio. De Moçambique fora já premiado José Craveirinha (1991) e de Cabo Verde Arménio Vieira (2009).
Criado por Portugal e pelo Brasil em 1989, e actualmente com o valor monetário de cem mil euros, este é o principal prémio destinado à literatura em língua portuguesa e consagra anualmente um autor que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum.  Isabel Coutinho

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Diplomacia Peninsular e Operações Secretas na Guerra Colonial
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Sinopse:

A diplomacia peninsular teve uma especial proximidade nos períodos bélicos que afectaram o Estado Novo e o Franquismo. Na Guerra Civil espanhola Portugal foi aliado indispensável para a vitória do Bando Nacional. Esse apoio manteve-se após a vitória aliada na Segunda Guerra Mundial durante a chamada “questão espanhola”, o isolamento diplomático na sequência da condenação do Franquismo pela ONU. A partir da Guerra de Coreia, a situação começou a reverter pelas necessidades do bloco ocidental de contar com a Península Ibérica como uma unidade estratégica, o que levou a procurar uma integração indirecta de Espanha na NATO através da via portuguesa, produzindo-se depois o momento de maior confluência dos regimes ibéricos com o ingresso de ambos os estados na Assembleia Geral da ONU, em 1955. No decurso da Guerra Colonial e, em paralelo à “questão portuguesa” nas Nações Unidas, a diplomacia espanhola, ainda que a contragosto nalguns casos, saldou aquela dívida com um paciente trabalho obstrucionista às condenações de Portugal, a que se sumou um apoio discreto em terceiros países e uma cobertura total nos estados africanos onde Espanha tomou a seu cargo a representação dos interesses portugueses, quando se produziram cortes diplomáticos com Lisboa, no Egipto de Nasser, na Tunísia de Bourguiba e no Congo-Kinshasa de Mobutu. * * * * * * * * * * * * * O tema desta oportuna investigação diz respeito a um período, sem repetição equivalente no futuro imaginável, mas não previsível, da nação portuguesa. Em primeiro lugar, na sempre verificada circunstância de Portugal necessitar de um apoio externo para sustentar a sua posição de igual na comunidade das nações, e de procurar além fronteiras recursos para o desempenho do Estado e nível da qualidade de vida da população, o fim do Terceiro Império, de que o livro se ocupa, colocou um ponto final nessa política. (…) É lamentável que em todas as circunstâncias desse trajeto de séculos, cada um dos Impérios tenha chegado ao fim com o Estado em situação de debilidade e de falência. [Adriano Moreira (Presidente da Academia das Ciências de Lisboa)]

Índice:

Prefácio

Abreviaturas

Introdução

Capítulo I. A desigual realidade colonial de Espanha e Portugal

Capítulo II. Da unidade à disparidade peninsular ante o processo descolonizador
II.1. O desigual caminho da integração internacional no período do pós-guerra (1946-1955)
II.2. As primeiras consequências da entrada na ONU para os estados ibéricos
II.3. Da entrada conjunta na ONU à dissociação da política externa dos estados peninsulares (1956-1960)
II.3.1. A Guerra do Ifni e a política de prestígio de Castiella
II.3.2. A mudança na aritmética das votações na ONU, o Ano de África

Capítulo III. O desatrelar do comboio ibérico na descolonização (1960-1963)
III.1. As grandes resoluções da Descolonização. Dissociação de atitudes entre Portugal e Espanha
III.2. Abrem-se as três frentes da campanha internacional contra a política ultramarina portuguesa
III.2.1. A primeira frente: a Assembleia Geral e o Conselho de Segurança da ONU
III.2.2. A segunda frente: as repercussões nas relações bilaterais
III.2.3. A terceira frente: os meios de comunicação e a opinião pública
III.3. Começa a era Franco Nogueira em Portugal. Desconfiança para com Espanha e pedidos de apoio
III.3.1. Revisão infrutífera da política externa portuguesa
III.4. A Igreja Católica espanhola também toma posições relativamente a Portugal

Capítulo IV. O nascimento da OUA, a descolonização da Guiné Equatorial e as suas consequências nas relações peninsulares (1963-1969)
IV.1. O nascimento da OUA, rupturas com Portugal e mediação espanhola
IV.1.1. Mediação espanhola na política ultramarina portuguesa e acordo tácito de cooperação na política multilateral
IV.2. As inquietudes portuguesas com a independência da Guiné espanhola e as posições peninsulares na guerra do Biafra

Capítulo V. O fim da era Castiella-Franco Nogueira. Agravamento da “Questão Portuguesa” e ajustamento nas relações peninsulares (1969-1970)
V.1. Impulso final para a descolonização, maiores dificuldades para o apoio espanhol e revisão dos acordos de actuação na ONU
V.2. A contenção das condenações a Portugal nos organismos especializados das Nações Unidas

Capítulo VI. A dupla face da entente tecnocrática. “Diálogo de varanda para varanda” na Península e divergência em África (1971-1974)
VI.1. A intensificação da campanha internacional contra a política ultramarina portuguesa e a posição espanhola

Capítulo VII. A cobertura diplomática espanhola no Egipto
VII.1. As relações de Portugal e Espanha no Egipto antes do corte de relações
VII.2. O corte de relações com Portugal e a assunção por Espanha da representação dos interesses portugueses no Egipto
VII.3. A discreta aproximação luso-egípcia à procura de um “Degelo construtivo”

Capítulo VIII. A defesa espanhola dos interesses portugueses na Tunísia
VIII.1. As relações luso-tunisinas desde a independência até à ruptura (1956-1963)
VIII.2. O corte de relações com Portugal e a assunção por Espanha dos interesses portugueses (1963-1966)
VIII.3. A crise da substituição dos diplomatas portugueses e as precauções espanholas (1966-1967)
VIII.4. Relançamento das relações luso-tunisinas e nova sintonia nas luso-espanholas (1967-1971)
VIII.5. A nova política bourguibista e o fim da Primavera Marcelista
(1971-1974)
VIII.6. O 25 de Abril, a descolonização e o fim da cobertura espanhola

Capítulo IX. Diplomacia e Operações Secretas no Zaire
IX.1. A presença diferenciada de Portugal e Espanha no Congo
IX.2. As relações triangulares entre o Congo, Portugal e Espanha
IX.2.1. As ambíguas relações durante a I República congolesa (1960-1965) 296
IX.2.2. As relações com o Governo Tshombé em Léopoldville (1964-1965)
IX.2.3. As redes de informação de Portugal no Congo-Léopoldville e as primeiras operações de desestabilização
IX.2.4. De Tshombé a Mobutu. Reposicionamento político e operações secretas no Congo-Léopoldville
IX.3. As difíceis relações luso-espanholas em Kinshasa durante a II República congolesa (1965-1975)
IX.3.1. As tensões entre os dois Congos e as tentativas de regresso de Tshombé
IX.3.2. O corte de relações e a assunção por Espanha da defesa dos interesses portugueses em Kinshasa
IX.3.3. Regresso português a Kinshasa. A embaixada oficiosa, uma delicada convivência luso-espanhola (1970-1973)

Capítulo X. As relações tentaculares de Lisboa e Madrid com Brazzaville e operações secretas no antigo Congo francês
X.1. O Governo de Fulbert Youlou, a secessão do Katanga e o desencadear da guerra em Angola
X.1.1. Início da instalação dos serviços de informações portugueses na África Central
X.2. Primeiro intento de aproximação Brazza-Léopoldville e queda de Youlou
X.3. O acosso permanente ao Governo Massamba-Débat (1963-1968)
X.3.1. A evasão de Youlou e as tentativas para derrubar Massamba-Débat
X.3.2. Os intentos de reposição de Fulbert Youlou no poder. A “Operação Barbarossa” e a necessidade de ampliação das redes de informação
X.3.3. O corte de relações do Congo-Brazzaville com Portugal
X.3.4. O exílio de Fulbert Youlou em Espanha e o operativo internacional contra o regime de Massamba-Débat
X.4. As operações contra o Governo Marien Ngouabi (1968-1974)
X.4.1. Nova intervenção internacional secreta no Congo. A “Operação BIKINI” e o frustrado golpe de Março de 1970
X.4.2. As novas redes de informações portuguesas em Brazzaville
X.5. Os últimos tempos de Youlou em Espanha e novas alternativas ao regime de Marien Ngouabi

Epílogo

Fontes e Bibliografia


A AUTORA:

María José Tíscar Santiago é doutorada em História. Tem exercido a docência em diversos Liceus de Espanha, Alemanha e França e no Instituto Espanhol de Lisboa. Iniciou a sua actividade de investigação trabalhando sobre as relações lusoespanholas durante o Marcelismo, e posteriormente, sobre o apoio da Espanha franquista ao Estado Novo durante a Guerra Colonial. Recentemente tem-se debruçado sobre as Actas do Conselho de Estado do período transitório 1974-1975, as quais vieram a revelar o papel dos diferentes protagonistas do processo histórico que conduziu à descolonização e que publicou no livro «O 25 de Abril e o Conselho de Estado. A Questão das Actas» (Edições Colibri, 2012).

Detalhes:

Ano: 2013
Capa: capa mole
Tipo: Livro
N. páginas: 450
Formato: 16x23
ISBN: 978-989-689-277-7

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A MADEIRA NA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL / EDIÇÕES COLIBRI


A Madeira na Segunda Guerra Mundial

Economia, Política e Sociedade










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Stock: disponível

Sinopse:

O grande objectivo desta obra foi identificar, através de investigação própria, os principais impactos na política, economia e sociedade, na Madeira e Porto Santo. Da análise à gestão política da Madeira, evidencia-se a deficiente articulação entre o governo central e as autoridades na Madeira como causa principal das carências e da fome que atingiu a população. Na economia, identificam-se os efeitos em áreas transversais como as relações com o exterior, o plano Ventura Terra e os aproveitamentos hidráulicos e, nas actividades económicas, os sectores turismo, bordados, vinho, lacticínios, vime e indústria da cerveja. Na sociedade, para além do grande flagelo do desemprego, foi também abordado o papel das “Gibraltinas” na mudança e transformação dos comportamentos e costumes sobretudo na cidade do Funchal.

Detalhes:

Ano: 2013
Capa: capa mole
Tipo: Livro
N. páginas: 220
Formato: 16x23
ISBN: 978-989-689-300-2

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